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As perspectivas de Westworld

“As pessoas escolhem ver a feiura do mundo. Eu escolho ver a beleza.”

(Atenção: o texto contem spoilers!)

Quanto você estaria disposto para pagar por sua felicidade? E este pagamento, me refiro não só com dinheiro, mas sua vida. Será que um parque temático adulto te deixaria exitado e inebriado diante de tantas perguntas que te rodeiam? Todos possuimos um labirinto dentro de nós e,em muitos anos, não encontramos o centro com todas as respostas. Este é o (segredo)convite de Westworld: encontrar o (seu) labirinto.

Uma das protagonistas da série, Dolores, começa seus argumentos sob este entendimento: de escolher outro olhar sobre as dificuldades e o que é desprezado, desvalorizado e dito como “ruim”. Mas é uma ótica falsa, já que ela, na verdade, não é um ser humano em sua plenitude (o que abre debate para outros assuntos). São os discursos da ditadura da beleza e cultura da imagem. Por vezes, nossa própria perspectiva nos engana, não é mesmo? O que é material contraponto com o não-material. As junções culturais sendo exploradas através de perfis icônicos – e que encontramos dentro da gente.

Trailer da série (sem legenda):

A teoria (ou uma das teorias)

O que significa ser humano, ter consciência e autonomia? A série aborda a Teoria da Mente Bicameral, desenvolvida pelo psicólogo Julian James (1977), buscando explicar a origem da consciência. Ele propôs que a consciência surgiu nos seres humanos a partir da interação de duas partes da mente, as câmaras. Uma parte falava o que precisava ser feito e a outra obedecia. Neste período que antecedeu a consciência humana, as pessoas não teriam plena consciência de que as falas que elas ouviam viam de suas próprias mentes, atribuindo essas vozes à deuses ou entidades (as referências ao labirinto da série).

É interessante notar que a história começa ser contada pelo prisma de Dolores, e depois, descobrimos que nem tudo é o que parece.

O plot

A série trabalha através de Narrativas. Já aí percebemos a brilhante ideia de relação com nossa vida: as histórias que criamos e a que são criadas para nós. Os arquétipos são bem alinhados e configurados. Fica fácil a percepção de cada um (mesmo que não devemos defini-los). As sobreposições de perfis. Eu e você, como público olhando em uma visão macro, conseguimos discernir (ou não – pausa para o grande choque de season finale) as vertentes exploradas. A pluralidade de ideias e as escolhas sempre na corrida contra um tempo (ou Tempos?). A era digital nos proporciona isso: possibilidades – mesmo que equivocadas.

O parque temático da série, criado pelo megalomaníaco Dr. Robert Ford (Anthony Hopkings), é o pano de fundo para as mais diversas áreas de atuação profissional. É como se o parque fosse o nosso mundo, e nele, estão inseridos os medos, anseios, desejos, sentidos, razões pelas quais vivemos ou idealizamos.

A inteligência artificial explorada é tão primorosa e bela que nos faz pensar em nossa existência. E nos lembrar que não somos artificiais! A ambientação é curiosa: o típico deserto faroeste norte-americano: os mistérios ricos que o interior reserva. No nosso cotidiano digital observamos isso: as velhas lutas travadas, a mesmice e marasmo de inovações.

São as contradições que muitas pessoas – e em consequência as empresas – acabam caindo. Esse limbo acrítico e formatado, sem a preocupação de rompimento.

A administração e equipe criativa do parque manipula todos os comportamentos das personagens, tornando o que deveria ser surpresa em previsibilidade. Tudo parece ser perfeito e do jeito que o público deseja. Nós fazemos isso. Nós manipulamos a nossa audiência em nossas mídias sociais em detrimento do que queremos ou achamos ser o melhor. Fazemos do nosso jeito sem ver consequências dos atos. Não polimos nossas palavras.

Somos prisioneiros buscando resquícios de leveza na vida. E nos apegamos ao que pode ser, talvez, uma possibilidade de ruptura. A era digital não é nova, tão pouco boba. Ela é consciente e inovadora. Mas se a persuasão for de cunho egoísta e vaidosa, não há resultados. Na verdade, há sim, resultados imediatos e inflados, mas a médio e longo prazo, que não traz benefício institucional e humanitário. Os exemplos são muitos; fanpages que, na corrida por métricas altas, não respeitam o leitor e lesam sua credibilidade enquanto marca. E se você olhar a sua volta, há certa semelhância do cenário promíscuo-existencial da série com os convívios sociais.

Existem limites?

Westworld diz que não (inclusive frase usada pela própria HBO na promoção). Por lá tudo é possível – desde que bem arquitetado pelos Roteiristas do parque, pela equipe de Comportamento e Executivos Financeiros. Em nosso mundo, por muitos terem seus limites coagidos e suas liberdades censuradas, extrapolam na tentativa de se imporem e argumentarem. Tornam suas verdades únicas. De um extremo ao outro. Novamente, trago exemplos de fanpages vivendo em função do sofrimento, bullying e repressão.

Os sonhos devidamente explorados e não só armazenados.Crie sem preocupar com expectativas. Viva seu próprio mundo sem manipulação e opressão. Como sua rotina é quase toda online, o que você vê nas mídias, estimula seu cérebro que, por consequência, influencia seus atos.

Westworld traz diálogos de comportamento, empreendedorismo, marketing, tecnologia, design, arte, neurociência, filosofia e psicologia. A série é rica em vários quesitos, desde direção à produção, que nos caberia outra conversa. Existem algumas teorias a respeito dos elementos de cada episódio. O plot é enigmático, assim como a gente. Permita-se viver sem fronteiras e liberte seus devaneios! Espero que você encontre os caminhos certos para o seu labirinto.

Obrigado por ler e até o próximo texto. Se você ja assistiu a série, conta pra mim sua opinião. 🙂

 

MEU SEGUNDO LIVRO “A CONSTRUÇÃO DO OLHAR” DE GRAÇA (PDF): http://bit.ly/aconstrucao

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