Loading...
Loading...

“A vida necessita de pausas.” Carlos Drumond de Andrade

Todos nós já brincamos de prender a respiração quando crianças. Aqueles segundos capazes de transformar seu dia. Segundos que mais parecem horas.

Quando você segura o fôlego por alguns instantes, consegue ouvir detalhes de você mesmo, como as batidas do coração. Que incrível poder ouvir isto! Ouvir o que nos move e, quem sabe, ser guiado por este som. Prender a respiração tem disso: você percebe o que te faz existir. Tem a consciência do existir, mesmo que por instantes.

Alguns gostam de usar a palavra “propósito” – dizem que você se torna a par de seus propósitos -, mas essa palavra tem sido usada com tanta frequência, que cria muitas expectativas, pelas quais você ainda não tem resoluções. Talvez falsas expectativas?

Hoje, está tudo bem por não ter expectativas, não se preocupe.

Porque os segundos passam, e com eles as escolhas. Claro, é tão rápido que não dá tempo de você deliberar sua decisão – mas seus objetivos foram lembrados. Todos temos alvos e nos lembramos a cada manhã. Inspiramos objetivos, expiramos sonhos. Faz parte. Mas, expectativas já são outras coisas… outros silêncios. Mais gavetas (link).

E então, você vive um momento de reticências. A atenção está no mistério do que pode acontecer quando consegue prender a respiração por muito tempo. Estas circunstâncias definem traços de quem você é. Do agitado ao calmo. Ansioso e apaziguador. Por isso, a importância em aquietar-se. E mergulhar neste silêncio.

Porque silêncios reconstroem.

Você está vivendo entre pausas. Neste conceito, penso que não podemos defini-lo. Cada um tem o seu. Ele é subjetivo. É construído nele o espaço e um relacionamento entre você e o outro, seja uma pessoa, grupo social, ambições, desapegos.

São tantos segredos/silêncios/mistérios/ausências. Sempre existirá alguém que te fale os motivos para aquietar-se, só que isso não pode ser imposto, mas vivido, e das mais variadas formas, jeitos, meios.

Segurar o fôlego por alguém. Por medo. De susto. De tesão.

Silenciar por alguém. Por medo. De susto. De tesão.

O silêncio intensifica as sensações. Os desejos tornam-se prioridades. Das vontades às necessidades. Ele une. Então, prender ou soltar o ar? O que é melhor pra você?
Prender a respiração e suspirar. Arrancar suspiros. Suspirar e se envolver. E não se preocupar com o tempo. Se ausentar do tempo. E suspirar novamente. A música complementa; os abraços preenchem. Os cheiros envolvem.

Tirar a roupa com calma e, ao som do silêncio constrangedor e tímido, sorrir.

Existem sopros que precisam de curativos. O cuidado do afago. Pois é,  já dizia o poeta : “nada é tão certo quanto a imperfeição sexy”. E existem aqueles que te curam e fazem respirar mais e mais. O silêncio entre um sopro e outro, justifica. Porque silêncios falam. Gritam. Gemem.
Ser sexy é saber apreciar pausas e intensificá-las. Saber quando aumentar ou diminuir. A hora dos estrondos e barulhos; agitar-se, ou não  – pessoas sexy entendem de dinâmicas.

Silêncios têm gostos, cheiros, valores. Eles podem ser românticos e sujos; sérios e charmosos.

E é possível ser intenso sozinho. (Ser sexy também é saber permanecer sozinho).

O silêncio pode te levar à altas montanhas e penhascos. Abismos de reflexões. E são nestas alturas, com frio na barriga, que você vive e se expressa. Expressa seus verdadeiros anseios. “Há loucura no amor e há amor na loucura”. E este amor falo por mim mesmo. Amar o meu momento. Me permitir ser louco comigo mesmo. A gente passa muito tempo da nossa vida tentando ser muito. Mas aí, passamos uma vida tentando respirar. Só tentando. E então, nos perdemos tentando respirar pelo outro.

Quando você consegue prender a respiração sozinho, e ouvir o som do seu próprio silêncio, é libertador! A síntese do que é felicidade. Ser feliz é apreciar pausas.

O apreço. O refúgio. A (re)descoberta. A permissão.
Você não quer mais brincar de prender a respiração. O seu jogo hoje é outro. O seu silêncio é consciente.

O escuro, clareia. Os milhões de quilômetros de distância já não são tantos milhões assim. O amanhecer chega. O silêncio termina, e abre espaço para outros silêncios. Outras influências. Novas histórias.

O fôlego continua sendo o mesmo. (Talvez mais forte?).

Silêncios são portas para interpretações, e você certamente as teve ao ler este texto, de acordo com o que vive, sente, vê. De uma coisa eu tenho certeza: não tenha medo de respirar e silenciar. A construção sobre o silêncio ainda não acabou, e você poderá conferir mais em breve. Até a próxima 🙂

As fotos deste ensaio estão ao longo da minha galeria no Instagram.
www.instagram.com/arthiebarbosa

 

Comments(5)

Leave a Comment