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[Aperte o play! – Atualizado em verde dia 18 de abril de 2016]

Outro dia eu estava longe de casa. Andava pelas ruas dessa metrópole e me perguntava como que ainda não tinha conhecido tal região (essa coisa chamada mundo que nos chama aos sinais). Você já teve aquela sensação (alguns diriam sentimento) de pertencimento – não de indivíduos -, mas lugares? Fico agitado toda vez que lembro de alguma direção na qual escolhi viver em tempos curtos. Algumas curvas que desviei para conhecer o novo e inexplorado. Mesmo que o mundo tá desmoronando por fora com desacertos de outros, da sociedade, do meio, não precisa estar despencando tudo por dentro. Precisa?

Explorar.

Você lembra de onde veio e o curso das águas seguintes. E neste navegar das memórias, percebe que muitos ainda cobiçam. Se envolvem por rótulos. Andam, mas não se movem. É o marasmo. A mesmisse. O “viver pelo querer”. A dúvida do ideal e do necessário. E veja, não há erro em aspirar e velejar em mar aberto, mas, e a intenção? Criam personas. Personificam o inimaginável – tão somente para elas mesmas.

Preciso me lembrar: “Arthur, em alguns momentos, não siga pessoas de grande sucesso. Siga o seu coração.”

Já li artigos sobre essa temática, e parece ser uma coisa que todos estão desesperadamente desejando. É uma procura ociosa até. Acredito que você já esbarrou com algum texto assim por aí nas redes. E gostamos de gastar tempo nessa procura, porque é o que tem nos movido: andar pelo o que nos deixa contemplativos. Sentir prazer, e viver pelo prazer de ser e estar feliz. Vislumbrar.

Existem lugares que me motivam mais que outros.

(re)viver.

Lugares tem disso. E com eles, o movimento, as cores, a música. Música. Ela me move por estes lugares. Pulsa em mim. Quando me dou conta, lá estou eu me refugiando nela. Algumas me abraçam como ninguém nunca abraçou.

(re)conquistas.

Outro dia pensei em viver pela música profissionalmente. Respirar música. Silenciar com a música. Não eram sonhos equivocados – sonhos não são ilusões. O que me limitava em viver este sonho, alimentava mais ainda minha esperança. Porque é sempre assim: o que não podemos fazer, por alguma limitação – física, financeira, social -, o fazemos com todo o primor. E na verdade, não era só uma condição imposta por alguém. Eu mesmo me limitava do que podia ou devia. Pois é, nós somos assim. (vide link #sorriaolivro). Falta apreço. E zelo. Olhar no espelho e tentar se reconhecer, sem adornos.

(pre)disposição.

Andei por melodias, notas, pausas. Desacreditei e acreditei de novo. Porque sonhos tem disso: você projeta e desprojeta. Tenta alcançá-los e depois não tenta mais.

Outro dia pensei que seria cirurgião. Andei pela ciência. Pelo periódico. Iniciei coisas, terminei outras. Às vezes, deixar coisas – e lugares, é preciso. Do anatômico ao palco. Do palco ao meu quarto. Do meu quarto aos sonhos. E aí, quando conhecemos lugares tão distantes, percebemos que não precisamos ir tão longe para nos lembrarmos que, dentro do nosso quarto, também são criados impulsos, medos, anseios e músicas novas. Palavras novas. Silêncios novos… Sonhos nos mantém vivos.

(in)certezas.

Eu gosto de interferir na rotina e nos rumos dos lugares. Ouvir a melodia daquele lugar. Os sons que cada ambiente me proporciona. Posso tomar café em casa ou em uma cafeteria em minha cidade, e posso tomar o mesmo café em outra cidade, que não será o mesmo. Porque não é o café, é o lugar. São as pessoas.

Andar descalço tem disso: você se machuca todo. Os pés cansados e calejados. Sujos. Mas é assim que aprendemos a valorizar estes lugares. E em todos eles, pessoas. Elas sim, são o motivo.

Talvez, o que nos move são pessoas.

E com elas, o amor. O amor nos move sim senhor, e por isso, viver de amor nos torna tão compreensivos.

(re)pensar.

Amor não pela profissão, porque esse já é um discurso cansativo de ler por aí. O amor pela vida também está se tornando clichê, mas este é um discurso que não me canso. E por mais que a auto-análise vez enquanto se perca com um pouco(muito) de achismos e influências esteriotipadas e o que dizem como devo agir /ser/imprimir/viver, ela me faz bem. Me faz rever o que é amor e por onde tenho andado por ele. A decadência moral da sociedade é reforçada toda vez que uma decisão pessoal faz crescer o mal que repudiamos coletivamente. Na decisão que nos cabe, na autoridade que nos foi dada, no estreito território do mundo que administramos, a honestidade pode prevalecer. Honestidade por nós mesmos.

Porque o amor não pode ser líquido. Ou volúvel. Ele precisa ser sua propulsão. Não é romantizar todas as narrativas de sua vida, mas entender que há beleza no amor racional.

(re)mover

Eu faço planos. Mas isso não quer dizer que preciso ter as respostas para tudo – ou as respostas que esperam que eu tenha. Porque é assim: você precisa estar dentro do aceitável, mas o que seria ser “padrão”?Vi mais do que poderia ter visto. Observei e fui observado. Assisti o que queria. Me mostraram o que eu não queria. Continuei olhando. E então, cabe a reflexão: o que você tem visto? Como está o seu olhar? (Opa, tá vindo um livro novo só sobre esta pauta!).

(re)criar.

Arte me move. Traz a percepção da reformulação. O reinvento do concreto e lúdico. Fusões são importantes e quase inerentes, mas criar é transcender. A novidade é fresca e necessita estar sozinha, sem misturas. E quando esta encontra outra arte, elas não se completam. Não há indícios de que precisam se completar. Se formar juntas. Elas já têm suas formas e cores. Já possuem atributos. Essa história de completar é querer roubar a genuinidade do outro. Da outra arte. Ela não se trata de senso, muito menos o comum. Seria um pensamento tardio este, o de pressupor.  

Viva os pretextos, as poucas palavras e o intenso. Aquela frase de autoajuda que sempre ajuda mesmo: “viva o agora”. Sinta e permita ser sentido. Por onde for, com seus pés cansados, pare um tempinho e contemple o que é único e sincero. Contemple os sinônimos. Viva o que pulsa dentro do seu coração, e não só o que está no coração de outros. Às vezes, andar na chuva também faz um bem danado.

Apaixone-se por alguém, uma coisa, uma música, um café, uma palavra; por você. Por lugares. Arrisque-se apaixonar por cenários. Não canse do seu discurso. Faça e refaça-o, mas não canse. Depois, tente novamente. Reconquiste e continue (pro)seguindo.

Apesar de.

Não desconte na política, não menospreze o ser humano, não perca sua humanidade. Não deixe tornar sintomático. Não viva em função das justificativas do outro – crie suas próprias funções. Não desperdice seu tão precioso tempo pelo o que não é legítimo, sincero e tolerante. Existe significado em sua narrativa. Outro dia pensei que viveria da música. No dia seguinte me via com instrumentos cirúrgicos. Hoje escolho viver das palavras. Amanhã eu continuo vivendo, e sonhando. Andando. Apreciando cada sol. E você?

**
Música: Green & Gold ( Versão solo) – Lianne La Hava. 2016.
Mais fotos deste ensaio (por @giovanipierre) no Instagram e Facebook.

 

Arthur Barbosa

Comments(4)

  • Alex
    26 de setembro de 2015, 05:50  Responder

    E se eu dissesse que os sonhos nos movem? Diriam que sou louco? Diriam que quem nos move é realidade? Mas o real e o sonho se diferem apenas pelo lugar de existência. O sonho é potência. Pode se tornar. A realidade já não é sonho. Pode tê-lo sido antes. Eu digo que acredito ser movidos por sonhos, embora nem todos sejam realizáveis. Sonhar já é uma boa dose de energia. Sonhar me faz acreditar que estou vivo. Viver e sonhar me move.
    (Amo suas palavras.)

    • 26 de setembro de 2015, 10:36

      Não diria loucura, apesar de achar a loucura um ingrediente primordial para os sonhos. Então posso te chamar de esperançoso? Porque sem esperança (loucura), não nos movimentamos. Não vivemos. (Alex! que honra ter você proseando por aqui).

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