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Águas que fluem. Que levem o caos e tragam a paz. Que direcionem à boas lembranças.

É o que todos queremos.

E então, o mês começou. Aquele dia que divagamos a cerca de tudo o que vivemos, e depois os sonhos que queremos conquistar. Da falta de rumo aos alvos – confesso ser relutante em pensar nestas resoluções somente em aniversários.

Entre dramas políticos e financeiros; do coração e familiares, por aqui ainda teve tempo pra mais um drama. E olha que o mês nem acabou.

Pensei que iríamos prosear só sobre colesteatoma neste texto. Os sustos que a vida nos dá.

Já faz um tempo. Não me lembro quando foi a última cirurgia no ouvido esquerdo, mas faz um tempo. A primeira sim, eu lembro. Tinha oito anos e posso reviver as cenas como flashes, daqueles com luzes fortes que chegam doer os olhos. Mas meu romance com cirurgias começou bem antes, como sabem. Antes das do ouvido. Meses de vida e lá estava eu, tecendo vínculo com os instrumentos e materiais cirúrgicos.

Criou-se em mim um padrão. O costume de receber notícias ruins.

Carrego pedaços desses laços até hoje. Memórias dos inícios e términos. Como uma gaveta, daquelas que a gente junta tudo o que é tipo de nostalgia. As dores e alegrias – acho que relacionamentos têm disso, né? -Só que com meu ouvido esquerdo, a relação era e ainda é delicada: quando pequeno, desenvolvi uma otite crônica (coisa que vou carregar pro resto dos anos, junto com outras coisas que se juntam a outras). Por isso, volta e meia, algumas surpresas. Muitas idas e vindas.

À poucos dias, surgiu a suspeita do tumor ter voltado! Lá no Sorria, escrevi um capítulo só sobre ele. “OUÇA”. Aos que já puderam ler, podem compreender o medo, o ódio, a experiência de talvez reviver tudo de novo.

Felizmente, não hoje.

O padrão mudou.

Saber que somos frágeis e, como folhas que caem das árvores, percebermos nossa condição.

Tenho a sensação de que o reinventar da vida está sempre batendo à minha porta. Já sentiu essa ansiedade? Vira pro seu coleguinha aí do lado e diga: “Há novidade no amanhã sim!” (As frases de efeito nunca fizeram tão sentido como nestas situações). Mas, será que precisamos então sempre passar pelo extremo para sentir? Pois te digo: permita sentir. Perceba a formidável relação das palavras “livramento”, “liberdade” e “esperança” por aí. Estes conceitos podem clarear seu rumo. Sei que nem tudo é um mar de rosas, e nem é pra ser! Este texto não se trata de um discurso que cultua a felicidade plena. Não sou a favor destas palestras, dizendo que tudo dará certo é que todos os seus sonhos podem se tornar realidade.

Inspiração precisa ser adquirida, leve, e não imposta. Não pode ser generalizada. O mesmo vale para motivação. 😉

Porque o mundo até pode estar chato, mas isso não pode nos impedir de viver o mundo!

Conversando com amigos, descobri que tem sido um mês e tanto pra muita gente. Mas que seja esse tanto mesmo! Um tanto de danças entre os problemas  e músicas floreando nossa caminhada.  Elis e Tom foram felizes quando resolveram expor as promessas de vida pro nosso coração. De fato, entre pedras, solidão e novos horizontes, as coisas vão dando jeito.

São as águas de março encerrando relacionamentos, dando início à outros. O recomeço. A outra chance. Até términos são poéticos, e há beleza no início – ou o reinício. São os motivos para continuar sorrindo. Porque boas notícias trazem o tom dramático que precisamos.

Olhar o tempo fora do lugar. Experimentar novo fôlego. Reconstruir sua existência. Matar o tempo, recriar o tempo. Viver o tempo.

Viver é se movimentar. É sorrir, e descobrir que existe liberdade neste sorriso; saber que ser forte é ser livre para sorrir. A essência do seu sorriso é o que torna as águas da vida movimentadas, atormentadas, calmas, pacíficas. Vivas.

***
Você pode conhecer um pouco mais do Sorria aqui:

www.arthurbarbosa.com/sorriaolivro
www.facebook.com/sorriaolivro

Estou preparando uma atualização com novas palavras, junto ao segundo e-book que está sendo construído:

wwww.arthurbarbosa.com/aconstrucao

A foto – por @mateusmontoni – não é nova. Faz parte do ensaio do Sorria lá atrás. Mas acredito que agora você entenda o porquê de eu ter escolhido. Muito obrigado por ler até o final. Nos vemos no próximo texto e nas redes sociais. 🙂

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