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“Ah, mas é charlatão. Ele não é surdo, só está querendo pegar dinheiro fácil.”.

A cada frase como esta que você me diz, mais claro fica para mim que você não entende o que é empatia. Acontece o mesmo quando está dentro do ônibus e alguém pede ajuda. Você certamente já se deparou com situações assim, não é?
Ser empático não é somente olhar ou ouvir. É sentir. E deveria ser intrínseco. E antes que diga, não sou um bom samaritano – estou bem longe disto.

“O termo em grego empatheia, que significava “paixão”, pressupõe uma comunicação afetiva com outra pessoa e é um dos fundamentos da identificação e compreensão psicológica de outros indivíduos. Empatia é diferente da simpatia, porque a simpatia é maioritariamente uma resposta intelectual, enquanto a empatia é uma fusão emotiva. Enquanto a simpatia indica uma vontade de estar na presença de outra pessoa e de agradá-la, a empatia faz brotar uma vontade de compreender e conhecer outra pessoa. É a capacidade de se colocar no lugar do outro, que se desenvolve através da empatia, ajuda a compreender melhor o comportamento em determinadas circunstâncias e a forma como o outro toma as decisões.”

 

Ele chegou perto de mim hoje, com um sorriso acanhado de ponto a ponto no rosto. Entregou este adesivo do smilinguido escrito “Jesus”, e eu sabia que não o usaria em algum lugar. Mas não é nisto que me preocupo – porque sua preocupação também é esta, não é mesmo? “Ai, que adesivo feio. Nunca que vou usar.”.

Esse texto vai para os que olharam para mim de olho torto no ponto de ônibus quando cumprimentei e dei R$2,00 para o rapaz.

Se é farsa não me cabe discutir. A pauta não é essa. Eu preciso acreditar em quem sou. Eu preciso expor minha humanidade. Preciso forçar de dentro de mim o olhar que se compadece e acredita no outro. Por que se eu não me esforçar, eu me perco. Deixo de existir. Afinal, viver é isso. Não? Viver é expressar, doar, compartilhar, amar. Qual seria o sentido de tudo se eu não levantasse a cabeça, reconhecesse que sou tão limitado quanto, e olhasse para ele?

Não apenas assistir, mas olhar.

 

Li essa semana: “somos um universo inteiro”. Não somos parte ou um pedaço de algo. Ou ainda, almas gêmeas e metades de laranjas. Somos inteiros. E nessa completude, nos esvaziamos para preencher com o que é sadio, perpétuo, possível, amável, esperançoso. Vivo. Preenchemos com vida. É uma troca. Eu me dou e você traz seu feedback. Em seguida, você me mostra sua sombra e eu trago um pouco de luz. Vice e versa. Sempre – ou deveria ser assim.

Me entristece saber que tantos portadores de deficiência não têm oportunidades de ensino e emprego. Por preconceito e por falta de capacitação no mercado. É de assustar a quantidade de instituições e empresas que não investem no (conhecimento)treinamento de seus funcionários para a recepção desse povo que perece (eu mesmo vivi isto na pele como professor). Não deveria ser desse jeito, mas é. E assim, criou-se a cultura do acanhamento, onde todos nós sentimos vergonha ao falar com um deficiente, por não possuirmos habilidades necessárias para tal. Então, nos afastamos. Em meu primeiro e-book, Sorria, onde falo sobre o lábio leporino, uma frase norteou toda minha jornada:

Minhas cicatrizes não me definem. Suas dificuldades não te definem.

 

Talvez, se sentíssemos o que o outro sente, seríamos mais compreensivos.

 

A gente quer ler sobre: “como conseguir sucesso”, “como largar tudo para ser feliz”, “como ganhar mais”, “10 sacadas de empreendedorismo”.

Pare de ser raso. Pare de ser pouco. Pare de ser mesquinho. E eu poderia falar um tanto ainda sobre isso. Bagagem é o que não falta. Me reservo a expor esses assuntos aos poucos em meus textos, onde quer que eu escreva. Porque até na leitura destes temas, as pessoas não abraçam. Não aceitam. Talvez por não terem presenciado ou vivido realidades semelhantes. Vivido. É aqui o lance da coisa: viver. É preciso viver mais. Abraçar mais. Sentir mais o toque humano. O calor humano. O cheiro humano. A necessidade humana. Ouvir os gritos dos humanos.

O bullying começa quando você categoriza. Não faça isso.

Inclusão: Fazer parte de.
Unir-se a.

Perdi a bela oportunidade de pergunta-lhe o nome e ouvir sua história. Com toda certeza, seria uma linda narrativa. E, mesmo que eu não entenda libras, a gente ia se entender, porque somos singularmente iguais. Ele não é mais inferior ou menor. Eu não sou maior e poderoso. Não existe classe. Não há hierarquia. Talvez um pouco de dificuldade linguística e até déficits cognitivos, mas nada que um sorriso não resolva.

Outro dia, uma senhora desconhecida me deu uma carona aqui perto de casa. Eu aceitei. Quando entrei no carro ela disse: “não se preocupe. Quando eu era mais nova, sempre subia esse morro a pé, então eu entendo o que você está passando.”. Essa atitude me quebrou. Será que devemos esperar passar por mais experiências para aprendermos sobre a empatia?

A Paralimpíada foi um vislumbrante exemplo de força, determinação e superação. Três palavras até clichês que você está cansado de ouvir mas não tem a menor ideia do que conceituam. Eu assisti ao Goalball, onde o atleta com deficiência visual jogava vendado. O silêncio era sua arma. Foi lindo e inspirador ver!

Fica meu apelo, sempre, para atentarmos a isto. Tem muito texto semelhante a este pelas mídias e a gente não pode deixar tais palavras morrerem. Como falo: o olhar constrói argumentos sim. Ele dita coisas. Cria coisas. Inventa coisas. E com ele, reconstruímos tantas outras coisas. Não olhe somente para frente ou para trás, mas para o lado esquerdo, direito, na diagonal, para baixo, para cima. Para si. Certamente irá descobrir e crescer tanto… Seu currículo de nada vale se você não permite se libertar de preconceitos.

Todos temos uma bandeira para hastear. Felizmente hoje existem muitas organizações que se preocupam na atenção e cuidado. Se informe. Se conecte. Abra sua percepção e desconstrua padrões. Há um mundo lindo e diversificado lá fora para ser ajudado, entendido e amado. Este é apenas um gancho para abrirmos o leque de discussões. Irei continuar conversando sobre estes tópicos. Se você tiver alguma sugestão, só dizer. 🙂

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