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[Atualizado dia 19 de abril de 2016]

Sentir o ar. Já sentiu? Coisa rara esses dias. Articularmos sobre os laboratório das cores do pôr do sol, das aquarelas pela manhã, das sombras dos relacionamentos, e ainda, das cítricas em nossa narrativa.

“larga de ser bobo” is the new “não crie expectativas”. Ouço isso a beça quando falo dos meus projetos e quando converso sobre relacionamentos. Quando conheço alguém. Cara, eu mesmo já fiz este discurso pra tantos amigos e, no ímpeto de aconselha-los, também achei que poderia viver assim, sem expectativas. Porque a gente cansa mesmo. A gente leva as mesmas porradas sempre. Mas a gente muda também. Não é estarmos alheios ao que é direcionado como importante, mas enxergar leveza – ou procurar tal desprendimento. 

Eu crio expectativas sim!
Quem foi que disse que criar expectativas é errado? Existe um manual?

Criar expectativas é o meu jeito de sonhar com as coisas. De idealizar. De buscar o que acredito ser bom. E de acreditar que existe felicidade.
Felicidade: ninguém fala mais sobre isso. Querem só defender seus argumentos, e se esquecem de viver. Ou, confundem felicidade com alegrias. Não é apologia ao drama, ok plantonistas? Isto chama-se “ponderação”. O equilíbrio das coisas. E quando falo em equilíbrio, não se trata de vibes e tal, e sim, de constância. Acordo.

“Você não sabe curtir a vida.”

Senta aqui, vamos conversar. A vida não é um jogo que você vai brincando e só testando não. Que você vai testando as coisas. As pessoas. Ela foi feita para viver, e não ficar remoendo, mastigando. Ela é feita de cartas-brancas. E com muitas linhas tênues mesmo. Mas é pra viver!
Essa urgência que as pessoas têm em não se envolverem (mais). Não se doarem. Não compartilharem. Não corresponderem. Estão desesperadas em contar ao mundo que são adeptas ao descompromisso. Porque ser casual é cool. Tendência (?).

São as linguagens vazias.

“Ser casual é saber aproveitar vida.” Será! Enchem pra dizerem que se protegem mas é porque não conhecem a si mesmas. Veja, o refúgio na torre, o silêncio, a criatividade do silêncio (link) é só por um tempo. Conhecer a si mesmo é ter maturidade suficiente pra descer da torre e continuar vivendo.

Preguiça dessa gente. Mesmo. Que não se envolve. Não se entrega para as coisas que faz. A gente tem essa mania de se justificar. Não posso expressar o que você sente, não é verdade? – Talvez minhas palavras não façam sentido algo, mas eu as entendo e elas de algum modo falam comigo.

“Quando você nasce em um mundo onde você não se encaixa, é porque você nasceu para criar um mundo novo.”

Não há mais conexão. As pessoas não se aproximam. Não sentem.
Não viver a vida também é um tipo de abuso. Abuso a você mesmo, se flagelando por mimimi.
Não se trata de desabafo, mas resolução.
Criar expectativas por alguma coisa, por alguém, não é ser bobo não, é ser motivado. É ter perspectiva. É saber dizer “sim”. É dançar com essa loucura que é a vida. Sou louco por estar escrevendo um segundo livro independente. Louco por gostar de ficar em casa assistindo séries. Louco por ser bagunçado. Louco por me apaixonar. Louco por ser intenso.

Isso é essência.
Não quero perder minha humanidade. Prefiro ser trouxa, do que não sentir. Passamos muito tempo tentando descobrir o porquê de não descobrirmos. Desperdiçamos a maior parte do tempo desperdiçando.

“Onde não poderes amar, não te demores.”

É o continuar procurando a luz. Desapegar e apegar-se. Viver.

 

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Música: Story of A Man – Tiago Iorc (quando puder, ouça novamente com calma).
Mais fotos do ensaio no meu Instagram (fotos por @giovanipierre)

 

Comments(2)

  • 24 de Março de 2016, 22:41  Responder

    Você tem toda a razão do mundo. Hoje temos a geração de plástico.Eles tem olhos de plástico,toque de plástico e saberes de plástico.É tudo tão vazio,igual.Todos pensam igual e só pensam em si mesmos.Ninguém mais tenta viver com a verdadeira intensidade que a vida oferece, de se apaixonar de verdade, de ser amigo de verdade,de deixar de apenas sonhar pra tornar isso realidade.

    • arthurbarbosa
      26 de Março de 2016, 22:00

      Sim, Felipe! E boa ilustração, sobre a geração de plástico. Ainda não tinha pensado por essa ótica. Brigadão pelo comentário. 🙂

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