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“Equals” e o futuro comportamental das marcas #ideiademkt

“Equals” e sua eminente crítica ao comportamento. Já pensou se não pudéssemos nos emocionar? Fôssemos proibidos de amar?

 

O filme, que teve seu lançamento inicial em 5 de setembro de 2015 no 72º Festival de Filmes de Veneza, trouxe reflexões antropológicas das quais a gente rotineiramente pensa, mas nos esvaiamos. Nos esgotamos de tanto que se fala por aí. Não cabe a mim discutir produção, mas percebo este filme como grande exemplo. Uma ilustração, dentre tantas, que podemos projetar como tem sido nosso caminhar nesta Terra. E quando digo: “nosso caminhar”, trago a reflexão pessoal e também profissional. Como que as empresas então se relacionando?

Sua marca tem o poder de acionar a virtualidade e realidade. De alinhar estes dois mundos. (Até que estes estejam fundidos ou sobrepostos, como observado no filme). É seu papel enquanto comunicador relacionar estas dimensões técnicas e físicas. Mas como este posicionamento tem sido feito? Para onde caminharemos? Estamos alinhando e correspondendo de acordo com o nosso tempo? A sociabilidade no meio corporativo tem se perdido. O foco contemporâneo está destoando com a humanidade que deve ser exercida, dando espaço há percepções mais frias, solitárias e distantes.

A vida passa que a gente nem vê. E conforme ela se movimenta, as cores mudam, a postura muda, seu argumento muda. O mundo se fecha. As pessoas se fecham.

O plot é engajado na exposição de influências que todos sofremos com o tempo. O desgaste e a icônica apatia. A temática do filme traz esta consciência do proeminente futuro. Escrito por Nathan Parker e dirigido por Drake Doremus, a ficção científica monocromática reproduz um mundo futurístico sem emoções. O trabalho minucioso com a psicologia das cores traz o tom apático e seco. Tudo muito claro, muito branco, mas muito vazio. Todas as doenças foram erradicadas e a nova civilização funciona de forma utópica. Neste mundo, é proibido sentir. É errado se emocionar. E se você externa algo, é considerado doente.

As protagonistas Silar (Nicholas Hoult) e Nia (Kristen Stewart), ao viverem um romance proibido, começam uma longa jornada de despertamento e rompimento dos padrões.

Não precisamos viajar ao futuro para observamos esta realidade: falta empatia. E nesta, corresponder, envolver e transmitir algo. Somos humanos, não há como fugir disto – contrariando a escultura narrativa do filme. É urgente nos lembrarmos quem somos.

A trilha sonora é uma personagem fundamental. Os diálogos entre os instrumentos trazem o ápice de tensão e nervosismo – relacionando ao medo e insegurança quando descobrimos ou buscamos algo novo. E neste cenário melódico, a escolha da cantora Aurora foi feliz(link da música), por seu perfil bucólico e minimalista. O mistério ótico proposto na concepção artística se funde à sonoridade.

“Minhas lágrimas estão sempre congeladas. Eu posso ver o ar que eu respiro. Mas meus dedos pintam quadros vazios no vidro na minha frente. Deite-me sobre o rio congelado, onde os barcos passaram por mim. Dias silenciosos, perseguição violenta. Nós estamos dançando ao meio-dia em um sonho. Tudo que eu preciso é lembrar como era se sentir vivo. ”

Trazendo este pensamento para o cenário virtual: será que nos comportamos todos da mesma forma no ambiente web? Como sabemos, há intolerância e equívocos nas articulações. Que variáveis antropológicas, filosóficas, sociológicas, psicológicas podem influenciar nesse comportamento? Como é possível nos ‘segmentar’ e ‘qualificar’ de acordo com os diferentes papéis que exercemos? E ainda: devemos entender o mundo e esses diferentes papéis apenas como online vs. offline ou deixar de lado tal visão simplista e encarar uma perspectiva omnichannel, onde tudo se mistura em um contínuo 360º?

Fabrício Saad, Pós-MBA em inovação digital pela Kellogg School of Management, explica esta argumentação dos diferentes comportamentos digitais por três esferas:

“Esfera social – na qual interagimos e nos relacionamos com os outros. Dá-se o principalmente o indivíduo qualificado como ‘early adopter’ que enxerga como vital se aproximar e interagir com outros indivíduos. Os cools, os tecnológicos, os antenados.
Esfera tribal – na qual nos afiliamos a grupos similares para expressar nossa identidade. Essa esfera caracteriza essencialmente os indivíduos qualificados como ‘social engagement’, que enxergam entre si uma oportunidade contínua de mobilização e buscam sempre a força do coletivo.
Esfera psicológica – esfera na qual conectamos a linguagem às ideias e sentimentos específicos. Muitos estudiosos dizem que um peso excessivo da vida é dedicado a essa esfera e que isso pode caracterizar válvulas de escape para problemas do subconsciente. Indivíduos ‘hi consumers’ estão aqui fortemente representados. Seria como se games, cupons de desconto ou dormir com o celular no travesseiro fosse apenas um comportamento resultante de outros motivadores.”

 

Sua audiência precisa compreender todos os atos da sua história e, mais do que isto, precisa se identificar. A sua marca precisa adquirir este hábito: de reconstrução. Entender que reformulações são cabíveis e trazem viabilidade para o aumento de produção.
O filme traz a tendência estética que aguardamos: a padronização objetiva e a atmosfera clean em tudo. Desde a indústria da moda até as referências linguísticas. Tudo se reposicionou. A credibilidade e técnica se tornaram requisitos intrínsecos. A seriedade é encarada de forma leve e rotineira. – Claro que o filme traz certo peso emocional quando demonstra estas posturas.

Uma das formas de redesign é a exploração de novos recursos visuais (trunfo do filme). O embaçado não pode usado porque é embaçado e ninguém consegue ver. Mas o embaçado pode trazer outra dimensão a quem enxerga. A audiência é crítica e criativa, portanto, ela irá inconscientemente captar o seu conceito abstrato e sobreposto de acordo com sua vivência de vida, cultura inserida e atividades cotidianas.

O divisor de águas pode estar no toque. É quase mágico. O poder sensorial do tato.  Porque o universo virtual dificulta a experiência. A torna escassa. Quando as personagens tomam consciência do toque, todas as estruturas são afetadas. O que antes – aparentemente -, estava equilibrado, se desequilibra, perde o fôlego, sufoca. Mas, liberta.

Quando mudamos nossa percepção, nosso comportamento traz certa influência aos que nos assistem – sejam os que estão próximos, sejam os que estão virtuais. Dramatizar ideais não pode ser banido. Não é errado/feio/proibido se emocionar. Estamos doentes sim, doentes por não nos permitir às experiências construtivas e emocionantes.

Talvez, o efeito catalizador seja o amor.

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Texto postado originalmente no site Ideia de Marketing. Você pode conhecer todos os meus artigos por lá, clicando aqui.
Obrigado por ler até o final e até o próximo post! 🙂

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