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Um mundo (não tão) ideal (assim): O que as nossas histórias têm em comum com as narrativas da Disney
(atualizado dia 25/04/17)

<Obrigado meus queridíssimos amigos Alex e Priscila pelos insights do título e subtítulo.>

“É tão belo o nosso mundo, o que você quer mais?”

Era uma vez um ser humano controverso: evoluído, mas perdido; que depois de tantos reinos, ainda busca o sentido de tudo.
Você vê – com certa constância até, pelas mídias -, textos e mais textos confessionais desesperados por novidade (eu mesmo já cansei os ouvidos dos meus dois amigos aí de cima com estas crises). São os discursos que estão pautando o ano. Os dois extremos: empreendedores vendendo sacadas, doutrinando multidões a largarem tudo e seguirem seus sonhos, e outros ,como eu e você, cansados da monotonia, rotina, finanças, relacionamentos. Cansados da vida. Mas que vida é essa que tanto nos fadiga? E de onde pode estar vindo tanto peso existencial? Estas perguntas abrem um leque absurdo de possibilidades, afinal, eu não sou como você. Minhas experiências são escritas no que experimento em minha história.
Se formos conversar sobre o ideal que queremos versus o possível que podemos alcançar, precisaríamos de muitos cafés. É um assunto que rende. A vida que vivemos e a que desejamos (e ainda, a que planejamos). Os padrões que estamos imersos.
São os materiais que herdamos e neles, os traços, imagens, o coletivo e os símbolos (Jung feelings). Como estamos manifestando estas informações em nosso comportamento?

Eu sei que sua vida é corrida a beça, então já te alerto que você precisará de um tempinho para ler, ver e ouvir tudo a seguir, ok?

Esses dias revendo desenhos animados, fiquei absurdamente espantado com o tanto de identificação nas trilhas sonoras. Não é de hoje que as narrativas expõem o que – obviamente -, sentimos. Como entusiasta do audiovisual, o cinema, o mundo de roteirização e storytelling, sempre observei as perspectivas de tudo o que assisto – por que o diretor adotou essa linguagem, de onde vieram as escolhas dos elementos da direção de arte, a caraterização, as marcações e por aí vai. São análises breves que procuro fazer com o prévio conhecimento que possuo.
Cada frase que dizemos pode corresponder a uma construção dramática, que transforma em um discurso visual. Construímos planos geral, médio e americano, respeitando o roteiro da nossa vida.
A Disney sabe de fato nos enfeitiçar. Nos faz sonhar e acreditar num mundo mágico. Só que para chegar no “felizes para sempre” as personagens passaram por diversas crises existenciais das quais também passamos. Por aqui, quero trazer algumas dessas perspectivas. Perceba: Toda história tem sentido (ou deveria ter). Todo sentido tem contexto. Todo contexto verbaliza. Toda verbalização comunica. Toda comunicação, influencia. Toda influência molda seu comportamento. Nos desenhos, o plot – mesmo que definido como inocente, simplório ou subliminar – segue o mesmo raciocínio. #AConstrucaoDoOlhar

Cada final feliz simboliza um novo recomeço.


Veja os cinco vídeos e encontre as palavras-chave nas composições musicais e artísticas. Lembre que cada personagem está inserida em uma cultura diferente, e mesmo em suas variações, há um fator igual em todos para assimilarmos:

“O mundo humano é uma bagunça” – Disse sabiamente Sebastião, amigo de Ariel, conselheiro do rei Tritão. E ele continua em seus argumentos dizendo que não vale a pena subir à superfície.

“O fruto (a grama) do seu vizinho parece melhor que o meu. Seu sonho de ir lá em cima, eu creio que é engano seu (…) lá se trabalho o dia inteiro, lá são escravos do dinheiro. A vida é boa, eu vivo à toa onde eu nasci.”

Ele tem tudo no mar. Todos exercendo seus deveres, em seus lugares, existindo em suas formas, jeitos, meios. Pra quê então sair do mar? Por que buscar um novo mundo, se não este que já vivo por completo? Pode existir plenitude onde estou. Mas Ariel persiste em desbravar e explorar o desconhecido. Para ela, a esperança e novidade estão lá, não aqui.

#SomosTodosAriel, mas cabe equilibrar que, talvez, podemos ser racionais como Sebastião, com os pés no chão. Contemplar o que já possuímos em nosso costume de fazer as coisas.

Já ouvi que Ariel, na verdade, está presa no inconsciente e por isso o desespero para subir a superfície, o consciente. Cada um traz uma perspectiva.

“Até o escuro é mais seguro aqui no mar.”

“Tudo é igual nesta minha aldeia. Tudo está nesta mesma paz (…) tudo aqui é sempre assim, desde o dia em que eu vim (…) eu quero muito mais que a vida de interior.”

A Bela vive o sonho que muitos idealizam: a cabana no interior longe do barulho, o fôlego fresco e a exuberante natureza. Mas, sua personagem nesta música mostra-se como a típica interiorana camponesa estereotipada, buscando vida fora da aldeia, os reinos ou “a cidade grande”. Por ser sonhadora, ela é chamada de estranha e esquisita pelos outros. Bela quer ir além dos seus muros e fugir da monotonia. Além de sua existência e descobrir quem é.

“Tenha fé em tudo o que acredita. Dois mundo distintos são. Deixe o seu destino agir; guiar seu coração.”

Pela voz de Ed Motta, Tarzan desconstrói o conceito da família. Através de uma longa contextualização na trama (que a gente também vê em “Mogli – o menino Lobo”), ele mostra o real sentido do que é amor fraternal. (E quando uso a expressão de “realidade” entenda que estou conduzindo este texto de acordo com o desenho. Não quer dizer que este de fato seja o real sentido de amor – é bom explicar que cada um tem uma construção e definição de “amor”. É subjetivo, singular e mais um monte de coisas).

Diante de uma tempestade, eles encontram paz no recomeço. Novas oportunidades de costumes e sentidos. OU seja, redefiniram o conceito de “paz”. Só que nem sempre almejamos o recomeço. Ou nem sempre será calmo, mas ele pode surgir e você precisa se adaptar. Esta é uma das palavras mágicas: adaptação. E novamente, as dúvidas inquietantes de identidade.

Um dos meus preferidos.

“Você gostaria de sair do palácio e conhecer o mundo? Confia em mim?”. Quanta coisa em uma única fala! Aladdin conduz seu posicionamento dizendo que Jasmine precisa conhecer um novo mundo e se desprender. Diz que irá ensiná-la a ver! Irá desconstruir seu olhar. Modificar sua percepção, permitir seguir o coração e viver um sonho que muitos diriam utópico. E veja: ele argumenta tudo com sua visão de cima. Porque, claro, nem tudo está de frente, à frente, de lado, ao lado. É preciso ver por outros ângulos. Eles moldam as nuvens como querem e conjecturam a imensidão de novas possibilidades que o céu infinito lhe traz (opa! Não seria aqui um relapso do inconsciente também?).

O mundo ideal sem a cobrança. Sem o sistema. Sem erros. Sem Cansaço. Sem. Todos temos a “Síndrome de Aladdin”.

Mas os prazeres são transitórios, não? Se você escolher viver do que é findável, poderá cair num eterno limbo vazio. Vem o passo de desfazer e moldar. Esse tanto de dificuldade que passamos traz o tempero da coisa. Ninguém disse que seria fácil. Nós projetamos nos desenhos o que queremos. Nos filmes e séries também funcionam assim. O universo ficcional é perceptível. Sempre iremos fazer isto. Nos cafés da vida, nas prosas com amigos, dentro da caixa formatada chamada “carreira”.

 

Para concluir:

“Sem medo e sem vergonha, existe felicidade a ser conquistada nesse mundo. Você pode até ficar feliz de ser você mesmo. Embora eles irão te falar que isso não é tão sábio de se fazer. Para todo todo sempre. O mundo pode ser seu, se você libertar seu coração e acreditar. Não se surpreenda com o fato de seu coração ter a sensação de estar voando e sua cabeça estar girando. Cada final feliz traz um novo começo. Você pode construir o seu ‘feliz para sempre’. Deixe-se ser encantado.”

Será mesmo que existe uma felicidade eterna, onde tudo é possível? Olhamos para o final do mês, aquela agonia. O início de mês, outra agonia. Por todos os lados há desigualdade, descriminação, preconceito, insatisfação, intolerância…

A gente tem a mania de categorizar e separar nossa vida (e tem gente que coloca no plural: “nossas vidas”): “vida familiar”, “vida amorosa”, “vida sentimental”, “vida profissional”, “vida espiritual”, vida disso vida daquilo. Mas você é um ser completo e não separado! Uma coisa influencia a outra, sim! Talvez o motivo da ânsia de todas estas personagens está em não acreditar em si. Talvez, dê para trazer da realidade animada algo para a vida real, como neste último clipe de “Encantada”. Trazer algo bom e contagiar. Vamos admitir: no fundo acreditamos que tudo pode se tornar realidade. A moral da história pode ser esta: acreditar mais na gente. E mais no amor – ir sem amor não adianta. Explorar, se adaptar, vislumbrar, se desprender, amar e contagiar. Se libertar. Outro exemplo clássico é a letra de “Let It Go”, cantada por Elsa em Frozen.


Vivemos em um mundo não tão ideal assim. Todos queremos ir (link). Ir sem saber como, ou para onde. Apenas ir. Passar pela floresta de espinhos como o príncipe Felipe, em busca de Aurora, a Bela Adormecida. Por mais louco que possa parecer, eu ainda quero acreditar nos contos. Nos encantos da vida. Quando a gente vai, a gente se surpreende e aprende coisa nova, com gente nova em lugares novos. O conceito de “cultura” traduz muito nossa conversa. Sugiro você dar uma pesquisada.

Não temos uma fada madrinha como Cinderela, que nos acuda e transforme o que está escasso em belo e funcional – porque de repente nem tudo é, apenas está. Ou podemos abrir a janela, como a Branca de Neve, e cantar para os passarinhos nos acalentar e ajudar. Mas nós podemos solucionar. Às vezes, só ir para si mesmo já basta. Só entrar em si mesmo já resolve. Você descobre o mundo encantado dentro de você, e então considera compartilha-lo, indo. Vivendo.

Qual é o seu “feliz para sempre”?

 

 

Existem muitas outras trilhas que podemos conversar. Se você lembrar de alguma, me conte! Obrigado por ler até o final. E se for divulgar o texto, peço que exerça a boa ética e respeito e me referencie, ok? Até o próximo. 🙂

MEU SEGUNDO LIVRO “A CONSTRUÇÃO DO OLHAR” DE GRAÇA (PDF): http://bit.ly/aconstrucao

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